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Conveniência do óleo desafia os benefícios do azeite

09/03/2018

> Artigo original publicado na Grande Consumo

O fecho do ano de 2017 veio reforçar as tendências que se foram notando ao longo do ano: os lares portugueses estão mais optimistas em relação às suas economias, despendendo mais do seu dinheiro fora de casa, em categorias como alimentação e vestuário, mas com comportamento oposto dentro de casa. De facto, parece que nos habituámos a racionalizar e gerir melhor o que compramos para dentro do lar e desta forma o FMCG continua sem evolução positiva, com -2,7% em volume vs. 2016, tendo a alimentação como foco de racionalização.

O aumento contínuo do consumo fora de casa faz com que também a redução do tamanho das cestas para dentro de casa seja contínua, ou seja, compramos menos quantidade cada vez que vamos às compras.

A verdade é que as refeições fora de casa são cómodas e prazerosas, e dentro de casa não poderia ser diferente. Os portugueses procuram este conforto através dos produtos que levam para dentro do lar, selecionando aqueles que lhes proporcionem prazer e que lhes roubem o menor tempo possível na sua preparação. Desta forma, são as categorias de conveniência e prazer que contrariam a tendência geral e conseguem crescer em volume. 

Sendo Portugal um país cuja base da alimentação é a dieta Mediterrânica, as Gorduras Alimentares fazem parte da cultura quando preparamos uma refeição, chegando a 99% dos lares portugueses, e por essa razão, sofrem diretamente com esta ausência de refeições em casa e também com a procura pelo mais prático.

As Gorduras Alimentares seguem a tendência do total alimentação e fecham o ano no negativo com uma evolução de -2,7% em volume vs. 2016, mantendo a regularidade de compra mas, à semelhança do total alimentação, não conseguem evitar a redução do tamanho das cestas do shopper.

Azeite é a categoria mais comprada, representando 41% do volume comprado em Gorduras Alimentares e é também a maior responsável pela evolução negativa da categoria. Em 2017 menos 4 mil compradores adquiriram Azeite e os que se mantiveram na categoria reduziram o tamanho da cesta em -2,2%. Ao contrário de Óleo que, apesar de ter também as cestas reduzidas, mantém os seus compradores e ganha regularidade de compra.

Um ano difícil para azeite

Vários fatores fizeram com que o Óleo se mostrasse mais resistente que o Azeite, entre eles está a questão preço.

À semelhança de outras categorias de FMCG, em Azeite o comprador movimenta-se sempre em busca da melhor oferta. Por questões relacionadas com a matéria-prima, a categoria sofreu um encarecimento e, ainda que as marcas tenham feito o esforço para manter o nível promocional, o comprador reagiu ao reduzir a sua cesta com o fim de reduzir também os seus custos. Desta forma, Azeite perde ocasiões de compra em promoção ao mesmo tempo que Óleo se desenvolve ao ganhar ocasiões de compra em promoção.

Mas não só o encarecimento de Azeite deu a vantagem a Óleo, também as questões de comodidade tiveram um papel fundamental. O facto de os portugueses estarem mais fora de casa é um desafio para todas as categorias de Alimentação, mas é o comportamento que adoptamos dentro de casa que pode ser um obstáculo ou um aliado.

Na busca pela conveniência, os portugueses aproximaram-se de categorias como Peixe e Marisco Congelado não preparado, Pratos Prontos Congelados e Salgados Congelados, produtos que sugerem uma maior utilização do Óleo na sua preparação. Em oposição, os frescos como Proteínas e os Legumes foram menos prioritários, o que colocou o Azeite numa posição de desvantagem, pela proximidade que tem a este tipo de produtos. E quando se pergunta quais os motivos que levaram ao consumo, em Azeite destaca-se o facto de ser saudável, enquanto em Óleo o consumidor afirma que é pelo facto de ser rápido e cómodo na preparação dos alimentos.

Assim, apesar de existir de facto uma maior preocupação com a saúde e a alimentação da população em geral, entre o Azeite e Óleo prevaleceu a comodidade aliada ao melhor preço.

Margarinas e Manteigas

Também as Margarinas & Manteigas sofrem com a redução das cestas, sendo as Manteigas que mais sentem este impacto ao não conseguirem evitar a queda. É através da opção de Manteiga Magra que a categoria entra no negativo ao perder compradores e intensidade de compra. Apenas a opção de Manteiga normal sem sal mantém o nível de compra de 2016.

No entanto aqui, não é o facto de os portugueses estarem mais fora de casa que impede o crescimento destas categorias, uma vez que o consumo de Manteigas & Margarinas se centra no pequeno-almoço e aqui a tendência é oposta, os portugueses estão a reduzir as ocasiões de consumo do pequeno-almoço fora do lar.

Se nas grandes refeições em casa o facto de um produto nos poupar tempo é essencial, na primeira refeição do dia as preocupações são distintas. Aqui, Margarinas & Manteigas enfrentam categorias concorrentes, em que se alia o prazer mas que permitam essencialmente começar bem o dia, com produtos em que reconhecemos o benefício para o nosso bem-estar. Neste sentido, os lares portugueses estão a incluir mais no seu pequeno-almoço categorias como Leite sem Lactose, Sumos de Fruta, Iogurtes funcionais, Águas minerais, Cereais e Fruta.

Mas não só, categorias complementares ao consumo de Margarinas & Manteigas como Tostas Embaladas e Pão Fresco também aumentam o consumo neste momento, no entanto, estão a ser utilizadas também com opções mais gulosas como Queijo para Barrar, Doces e Mel.

Desta forma, as Gorduras Alimentares enfrentam diferentes desafios nos vários momentos de consumo, enquanto nas refeições principais a praticidade é o fator essencial, fora delas o factor benefício alia-se ao prazer e fazem frente a Margarinas & Manteigas.

Sendo que o maior desafio de todos é perceber como podem as Gorduras Alimentares facilitar a confeção das refeições e como se podem tornar mais sedutoras nas pequenas refeições, a fim de recuperar proximidade com o consumidor melhorando a sua qualidade de vida dentro de casa.

Conveniência do óleo desafia os benefícios do azeite

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Vera Gonçalves
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